Índice
Página 1:Citroën Autochénille P2 (1922)
Lexus RX300
Página 2:Mercedes-Benz ML (2005)
Citroën C-Crosser
Página 3:Mercedes-Benz G4
Hummer HX Concept (2008)
Audi Q7
Land Rover Range Rover (1994)
Página 4:Citroën 2CV Sahara 4x4
Chevrolet Tahoe (2000)
Lamborghini LM002 (1986)
Página 5:Hummer H1 (1993)
Citroën C4 Aircross (2011)
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Foi em 1906 que o engenheiro Adolphe Kégresse (nascido em França, em 1879) se tornou no director da garagem imperial do czar Nicolau II da Rússia. Na realidade, a sua missão ia bem além da escolha e manutenção dos veículos da família imperial russa. De facto, Kégresse fora contratado com o objectivo de resolver um problema específico daquela região: conseguir utilizar o automóvel nos rigorosos invernos russos, com a neve a dificultar tremendamente a circulação.
O método mais óbvio de solucionar este problema seria através da adopção de lagartas idênticas às dos tanques de guerra, que se tinham provado eficazes durante a primeira guerra mundial (1914-1918). No entanto, as lagartas metálicas dos tanques implicavam um excesso de peso notável e consequente lentidão, mesmo para os padrões daquela década. É neste ponto que o engenheiro francês tem a ideia de substituir as lagartas metálicas por uma tira de borracha flexível contínua, substancialmente mais leve, e que era nervurada para melhorar a progressão na neve.
Este sistema chegou a ser aplicado em alguns veículos da garagem do czar. Contudo, a revolução de 1917 fez com que Kégresse tivesse de regressar a França, onde, em 1920,
monsieur Hinstin o emprega na fundição de Saint-Denis, pedindo-lhe que aplique o mesmo sistema em três
châssis Citroën.
É então que o projecto é apresentado ao próprio André Citroën que, convencido com a sua utilidade, compra a exclusividade de utilização do sistema, doravante denominado Citroën-Kégresse-Hinstin. Em concreto, Citroën acreditava na presença do automóvel nos recantos mais inóspitos do planeta, e viu neste sistema um modo de provar a validade da sua ideia.
Foi assim que, a 17 de Dezembro de 1922, Georges-Marie Haardt e Louis Audoin-Dubreuil deixaram Touggourt (Argélia), tendo como destino Timbuktu, no Mali. Apesar de algumas peripécias, os dois homens chegaram ao destino previsto a 7 de Janeiro de 1923, tendo completado a primeira travessia motorizada do deserto do Sara. Provada a razão de André Citroën, este continuou a facilitar meios a Kégresse para desenvolver modelos com lagartas, que integrariam as conhecidas expedições “Croisière Noire” e “Croisière Jaune”, que atravessaram respectivamente os continentes africano e asiático, fornecendo uma excelente publicidade para a fiabilidade dos modelos da marca francesa.
Ao longo das décadas de 1920 e 1930, seriam fabricados mais de 5000 modelos com o sistema Citroën-Kégresse-Hinstin, repartidos entre os modelos das expedições e versões ambulância, tractor, blindado ou até auto-metralhadora.
Esta miniatura da colecção “Passion Citroën” representa o Autochénille P2 (“autochénille” significa “carro com lagartas”), com que Haardt e Dubreuil atravessaram o Sara em 1922-1923. Este modelo era baseado no popular B2, com motor de quatro cilindros e 1452cc a debitar 20cv. Dada a especificidade do modelo, não é de espantar que atingisse meros 40km/h de velocidade máxima e consumos de 16l/100km (em estrada) a 30l/100km (em terrenos difíceis). Apesar da sua parca potência, conseguia superar declives de 30% e desenvencilhar-se dos terrenos mais complicados. Em 2004, este modelo seria mostrado em fase final de restauro no salão Retromobile, em Paris.
Quanto à miniatura, de fabrico Universal Hobbies, é bastante fiel ao rústico modelo de 1922, sem que isso tenha implicado um custo elevado.
Fontes:
Citroënet (8/12/2014)
http://www.classics.com/retro04.html (8/12/2014)
Citroën Autochénille P2 (1922)
Universal Hobbies/Éditions Atlas






